ORLANDO CASTRO


DEVERIAM TER CONVIDADO CAVACO SILVA,
LUÍS AMADO E JOÃO GOMES CRAVINHO

«Por iniciativa dos eurodeputados Ana Gomes e Richard Howitt, que estiveram em Cabinda como membros da Missão de Observação Eleitoral do Parlamento Europeu nas eleições angolanas de Setembro de 2008, teve lugar no passado dia 26 de Janeiro, no PE, uma Mesa-Redonda sobre Direitos Humanos em Cabinda , sendo convidado especial o Padre Jorge Casimiro Congo, que teve um papel-chave na decisão dos cabindas de participar nas eleições angolanas de 2008.

Igualmente interveio o Dr. Reed Brody, em representação da ONG "Human Rights Watch", que tem publicado relatórios sobre violações dos direitos humanos em Cabinda.

O Padre Congo contou a origem histórica dos problemas de Cabinda e explicou como se agravavam, à medida que os cabindas iam vendo frustrados todos os seus esforços para, através de diálogo político com as autoridades angolanas, ver reconhecida a identidade própria e um estatuto de autonomia para Cabinda, porventura semelhante ao dos Açores ou da Madeira.

Igualmente relatou o clima de intimidação e de perseguição contra os defensores de direitos humanos em Cabinda e a vaga de prisões arbitrárias de que estão a ser alvo vários activistas cabindenses nas últimas semanas, na sequência do ataque reinvindicado pelo movimento independentista FLEC contra a equipa de futebol do Togo, no início do mês.

O Padre Congo, que sublinhou estar a voltar dentro de dias a Cabinda apesar dos rumores de que também seria detido, indicou que os presos não foram especificamente incriminados por qualquer ligação àquele ataque, apenas lhes estavam a ser imputadas acusações genéricas de "atentados contra a segurança do Estado".

Acusações que, para Ana Gomes, "lembram as do regime salazarista contra activistas portugueses e angolanos. Em vez de procurar trazer à justiça os autores do crime contra a selecção togolesa, Luanda parece estar a usar o ataque como desculpa para prender arbitrariamente padres, jornalistas e intelectuais de Cabinda.

Esta tentativa de silenciar as vozes pacifistas da sociedade civil de Cabinda só pode levar a um agravamento da tensão política já existente - e isso não serve, claramente, o interesse de Angola".



UMA NOVA OPORTUNIDADE AOS STRADIVARIUS
PORTUGUESES FEITOS COM LATAS DE SARDINHA!



A propósito do texto aqui publicado sob o título «Deveriam ter convidado Cavaco Silva, Luís Amado e João Gomes Cravinho...», em que escrevi sobre a presença do padre Jorge Congo em Bruxelas, a convite da socialista Ana Gomes, para falar da situação em Cabinda, urge uma rectificação ou, melhor, um acrescento.

Recorde-se que, no Paralento Europeu como em qualquer lugar, dizendo o que aprendeu com o falecido bispo do Porto, D. António (“diante de Deus, de joelhos diante dos homens, de pé”), o padre Jorge Casimiro Congo lamentou a posição do Governo português de condenar apenas o que classificou como um ataque terrorista durante a Taça das nações Africanas (CAN), afirmando que “Portugal é o último a falar, não deve ser o primeiro a falar” sobre o enclave.

Jorge Congo acrescentou que “Portugal é que é o culpado do que acontece em Cabinda. Não nos aceitou, traiu-nos”, referindo-se ao processo de descolonização de Angola que deu de mão beijada e de cócoras o poder ao MPLA e, como se isso não fosse suficiente, rasgou os acordos que tinha asumido com o povo de Cabinda.

Vamos então agora ao acrescento. Para além da falha gravíssima de não ter convidado Cavaco Silva, Luís Amado e João Gomes Cravinho para que estes (mais vale tarde do que nunca) ficassem a seber alguma coisa sobre Cabinda, Ana Gomes deveria ter feito o mesmo a muitos outros políticos no activo.

Entre outros, deveria ter convidado José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas, bem como: Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão, Teixeira dos Santos, Augusto Santos Silva, Rui Pereira, Alberto Martins, Vieira da Silva, António Mendonça, António Serrano, Dulce Pássaro, Helena André, Ana Jorge, Isabel Alçada, Mariano Gago e Gabriela Canavilhas. Bom seria se, igualmente, tivesse convidado: José Manuel Nunes Liberato, Carlos Alberto de Carvalho dos Reis.

Mas como não vão faltar oportunidades para esclarecer muita de ignorância que por aí pulula sobre Cabinda, acredito com um dia destes, com ou sem recurso às Novas Oportunidades, os políticos portugueses acabarão por aprender alguma coisa.

Relembre-se que, segundo a versão oficial do Governo português, “a Iniciativa Novas Oportunidades, que procura dar resposta aos baixos índices de escolarização dos portugueses através da aposta na qualificação da população, concretiza-se em duas ideias-chave: uma Oportunidade Nova para os jovens e uma Nova Oportunidade para os adultos”...

Por manifesta ignorância histórica e política, bem como por subordinação aos interesses económicos de Angola, os governantes portugueses fingem, ao contrário do que dizem pensar do Kosovo, que Cabinda sempre foi parte integrante de Angola. Mas se estudarem alguma coisa sobre o assunto, verão que nunca foi assim, mau grado o branqueamento dado à situação pelos subscritores portugueses dos Acordos do Alvor.



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