|
CABINDA NÃO É ANGOLA, VIVA CABINDA LIVRE Alegro-me bastante agora em saber que mesmo depois de decorrido mais de um século o grande sonho dos nossos antepassados, fundamentado nos três tratados de protectorado assinados com portugueses, ainda permanece efervescente como larva de vulcão na mente de todos os Cabindas amantes da liberdade Alegro-me ainda mais em poder contar com pessoas que ainda nutrem da esperança e guardam-na no seu âmago, e, do desejo de podermos um dia devolver a terra perdida aos nossos filhos Alegro-me também ao aperceber-me de que podemos contar com muitos Cabindas que um dia entrarão para o lado certo da história como a grande geração que manteve acesa a chama da liberdade do Cabinda, não obstante as sevícias por que teve de passar. É assim que nós nos recusamos a aceitar a ideia de que Cabinda continuará a viver privado das suas riquezas, da sua liberdade e da segurança da justiça. Nós nos recusamos a continuar a viver eternamente como refugiados na nossa própria terra A terra dos Punas, terra dos Franques, terra dos Mambucos, terras dos Macaias, a terra dos dos Hombes, da terra dos Nfumo-pangas, enfim a terra dos Makongo, Mangoio e Maloango! Digo a todos os Cabindas que este não é o momento para descansarmos na cerveja e olvidarmo-nos do futuro da nossa terra Ficarmos calados e entregarmos o distino a terceiros para decidirem o que será de nós amanhã! Este não é o momento para nos dedicarmos a futilidades e estarmos sentado no conformismo Chegou a hora para sairmos dos gabinetes, sairmos dos comentários fúteis dos sites da internet e falarmos com propriedade sobre o problema do futuro das gerações de Cabinda chegou a hora de sairmos das trevas da ignorância e seguirmos o caminho iluminado pelo sol da justeza da nossa luta Chegou a hora de sairmos das discotecas infestadas e pulverizadas de alcool e drogas e procurarmos os livros para adquirir mais conhecimento estratégico das nossas atitudes e acções na certeza de que todos os seres humanos nascem heróis, daí que cada geração gera os seus próprios heróis Não temos outra pessoa para nos libertar Somos nós próprios a cumprir esse desiderato! Chegou a hora de transformar em realidade as promessas deixadas por nossos antepassados, promessas de independência ao assinarem sucessivamente três grandes tratados: o de Chinfuma(1883), o de Chicamba(1884) e de Simulambuco(1885) que consagram Cabinda e seu povo a luz do direito internacional o direito a sua autodeterminação, isto é, em harmonia com as resoluções das Nações Unidas concernentes à referida situação. Trata-se aqui das resoluções 1514 (XV), 1807 (XVII) e 2625 (XXV) adoptadas pela Assembleia Geral da ONU a 14 de Dezembro de 1960, 14 de Dezembro de 1962 e 24 de Outubro de 1970 respectivamente assim como das resoluções 180 (1963), 218 (1965) e 312 (1972) adoptadas pelo Conselho de Segurança da ONU a 31 de Julho de 1963, 23 de Novembro de 1965 e 4 de Fevereiro de 1972 respectivamente. Estas resoluções legam as responsabilidad es histórico-jurídica e político-moral da Administração Portuguesa, quando as interpretamos à luz do Tratado de Protectorado entre Cabinda e Portugal assinado em Fevereiro de 1885, e das Constituições imperiais portuguesas, em particular a de 1933. Assim, é chegada a nossa hora! Chegou a hora de erguermos as nossas vozes e fazê-las ourvir bem alto contra todas as tempestades da injustiça chegou a hora de encontrar veredas sólidas da fraternidade entre irmãos Cabindas e esgravatar o caminho certo para começarmos a definir o nosso futuro que ano após ano continua incerto. Que nós os Cabindas nunca estaremos calados enquanto o povo do Necuto continuar vítima dos piores horrores indescritíveis das atrocidades da tropa do regime angolano. Nós os Cabindas nunca estaremos calados enquanto nossos ideais de liberdade não forem respeitados. Nós os Cabindas nunca estaremos calados enquanto o povo da aldeia do Mabiala, no Zenze, continuar a usar candeeiro de “Makanvo”, o povo das aldeias como do Kingo-Mbungo, Maloango-Zau, Miyenze, Mbombo, Caio Poba, Buco-Cango, Conde-Malonda, Caio-Nguala, Vemba-Siala, Tchiala-Chimbaz a continuarem a usar candeeiros de “Muinda-Nomi” para iluminação e inacessíveis a viaturas, apesar de estar permanentemente aceso o lume do Malongo! Nós os Cabindas nunca estaremos calados enquanto nossa terra continue suja e inóspita, com pessoas que não sabem onde achar o pão para as crianças no dia seguinte, numa terra com inúmeros e abundantes recursos naturais e minerais! Que o Cabinda não pecisa de Angola, disso sei eu, mas eu ainda acredito que há, lá ao longe de Angola, ainda com os seus dirigentes desonestos e pseudo-governan tes que tem as línguas vertendo palavras contagiadas de fel e peçonha, de ódios contra Cabindas amantes da liberdade, onde indivíduos pertencentes ao regime déspota promovem preconceitos, que no dizer do Presidente Obama, aquando do seu discurso em Acra, não se justificam em pleno século XXI , como tribalismos agudos , obscurantismos nojentos, individualismos enervantes, nepotismos obstaculizantes, servilismos avassaladores e humilhantes , conformismos absolutos e tantos outros ismos e segregações de toda a índole que só concorrem irreversivelmen te para a nossa destruição e extermínio totais. Não! Não! Não! Mas não! Nós os Cabindas nunca estaremos calados enquanto promoverem em Cabinda políticas de exclusão social e nossas aldeias continuarem sitiadas por fortes dispositivos militares assassinos! E, nós nunca estaremos calados até que os angolanos opressores se retirem completamente de Cabinda e que a brisa da justiça e da independência soprem das montanhas íngremes da Serra do Muabi, das montanhas do Mongo-Mayilu, Mongo-Lubessi, no Necuto, e dos vales pantanosos e planicies liquidas do Yabi e do Mbata-Sano! Nós os Cabindas nunca estaremos calados até que as planície do Lico, os matagais do Co-chiloango, as matas e aldeias do Caio-Poba, Conde-Malonda, Vemba-Siala, Tchiala-Chimbaz a, do Miconje, do Ngunda-Luali, da Fortaleza, do Chiobo sejam completamente limpas desses violadores e estupradores das nossas esposas, mães, filhas e irmãs, e, em vez disso, estejam inundadas de fraternidade , de prosperidade, de amor ao próximo e respeito mútuo Nós os Cabindas nunca estaremos calados diante de processos judiciais forjados em gabinetes por elementes do SINFO, com confissões obtidas sob tortura a serem utilizadas como prova durante os trâmites judiciais e que nem os advogados de defesa tem acesso prévio a essas «provas» quando se sabe que a tortura é proibida em qualquer momento pelas leis internacionais dos direitos humanos, e os padrões internacionais de processo justo proíbem que confissões obtidas sob coerção sejam utilizadas como prova, chegando a atribuir-nos poderes de ubiquidade (existência dupla), acusando-nos até de crimes com co-réus fantasmas, com quem alegadamente teríamos cometido delitos que nunca tiveram lugar Todavia, os angolanos ainda não se aperceberam que quer a paródia da democracia, tão falsamente propalada em suas terras, quer as liberdades fundamentais do homem angolano estão ligadas indelevelmente a liberdade do homem Cabinda. Que os Angolanos de boa-fé, os Angolanos amantes da paz e da justiça social não nos deixem sózinhos nesse árido deserto de desespero, tormenta e vulcão e terramotos da morte por assassinatos sumários! Lutemos pois juntos contra as injustiças que se nos impõem a miude. Mas se nos deixarem só, sabemos também que apenas Deus nos há de libertar, dando nos forças como aquela que nos tem dado até agora para resistirmos a um dos melhores exércitos de África O regime anda espantado com isso! Que só Deus, mas só Ele, o Maior Redentor dos oprimidos nos ajudará a libertarmo-nos deste jugo! Nós os Cabindas nunca estaremos calados ao sabermos que somos, no mundo, o único território colonizado por um país negro ,e, por sinal, com um povo um tanto quanto mais atrasado que nós! Eu digo a todos meus irmãos Cabindas que embora nós carreguemos esse pesadíssimo fardo de injustiças , fardo de intempéries, vicissitudes e martírio de hoje e amanhã, ainda nutramos da esperança alicerçada na certeza de que um dia o estado Cabindês se erguerá das cinzas e do sepulcro da morte e viverá o verdadeiro significado de sua convicção - nós festejaremos estas verdades e elas serão cristalinas para todos, que o homem Cabinda não foi feito para ser angolano, nem ser eternamente corrupto como muitos se revelaram até hoje para perpetuar o sofrimento dos seus.-nós exultaremos nestas verdades e elas serão cristalinas para todos, que o homem Cabinda não foi feito para estar relaxado e alienado com vinhos e cervejas contaminados que deixam nossa juventude sem espaço para rever seu passado, reanalisar seu presente e então refazer o distino do seu futuro para que o amanhã seja melhor que o hoje! Nutramos da esperança que um dia nas florestas do Maiombe, nas planicies do Yema, nas planícies do Tando-Mbambi( no Zenze), nos matagais do Massabi, as nossas crianças pularão de euforia ao ouvirem o hino da liberdade soar e poderem assim deleitar-se com os frutos do sacrifício consentido pelos seus pais, compromentendo o seu próprio futuro, que no Nlundu-Matendi, no Kimbianga, Seke-Zola, no Nfuiki, enfim, onde quer que o Homem Binda estivesse para fazer de Cabinda a verdadeira terra prometida, aquela terra ora visionada pelos antepassados do Bakongo, Mangoio e Maloango há um século atrás! Nutramos da esperança que um dia, até mesmo no Tando-Conde, aldeia hoje habitada por militares, há mais de uma década, nas aldeias do Ntombo, Chinvula, Caio-Poba, Buco-Cango, Conde-Malonda, Caio-Nguala, Vemba-Siala e Tchiala-Chimbaz a onde transbordam as chamas da barbaridade da opressão colonial, serão transformadas num oásis de prosperidade, justiça e progresso social. Após dito isso, eu pessoalmente tenho uma certeza de que os meus filhos e todos irmãos Cabindas na face da terra vão um dia viver numa terra onde não serão tratados como mendigos ou refugiados nem tampouco como cães na sua própria terra que Deus lhes deu como dádiva, nem pela cor da bandeira do partido a que pertencem ou mesmo pelas tribos de que são oriundos para ter pão a alimentar os filhos no dia seguinte, como incitam e orquestram os verdugos do nosso bem-estar, que nos oprimem e nos massacram bárbaramente como se pessoas não fossemos, para melhor nos dividirem e nos dominarem, mas pelas obras que cada um seja capaz de fazer em prol do bem comum entre irmãos Cabindas Tenho certeza de que tarde ou cedo acenderá a luz irradiante e soará indubitavelment o sino da independência dos oprimidos de Miconje ao Yema e de Massabi ao Zenze do Lucula O povo de Cabinda exultará de alegria e em uma voz sinfónica então gritará: Aleluia, estamos livres!Aleluia, estamos livres! Oh Yave, Aleluia, estamos livres! Esta é mesma voz de certeza de 1885, é a mesma voz de de Agosto 1963 Que Deus proteja os Cabinda em todos os cantos da terra, não importa seja corrupto, malfeitor , redentor ou homem praticante do bem comum! Matondo!Matondo! Sialanu-bubote! Baziu Gomes |
|||
| Comentar | Ver comentários | Enviar a um amigo | Imprimir |